A história de um jovem homem pobre, Ettore Scola: referência solicitada

O Ícaro pediu a referência do filme citado numa aula, que outros podem querer também…

A História de um Jovem Homem Pobre/Romanzo di un Giovane Povero

De Ettore Scola, Itália-França, 1995.

Com Rolando Ravello, Alberto Sordi, André Dussollier

Argumento Ettore Scola

Roteiro Ettore Scola, Giacomo Scarpelli e Silvia Scola

Música Armando Trovajoli

Cor, 120 min.

Anotação em 1996: Um Scola triste, depressivo, pesado, sombrio, sobre o desemprego e a vida sem glamour algum num bairro classe média baixa de uma grande cidade. É a história de um Vincenzo (Ravello), filho único de um pequeno comerciante que ao morrer deixa pequena pensão. Formado na universidade, em filosofia, ele concorre a todos os empregos possíveis, mas não encontra nenhum.

A mãe é aquela classe média típica, querendo esconder dos vizinhos a situação de penúria em que vive. Um vizinho quase senil (Sordi), casado com uma mulher gorda e rica, que enxerga amor nos gestos corteses de uma jovem comerciante, propõe a Vincenzo que assassine a esposa em troca de dinheiro.

 

Fonte: http://50anosdefilmes.com.br/1996/a-historia-de-um-jovem-homem-pobre-romanzo-di-un-giovane-povero/

Segue também um artigo, no Núcleo de Estudos d’O Capital, de um colega que estudou comigo e hoje é jovem professor na USP:

Cinema:
A História de um Jovem Homem Pobre

            Este título poderia lembrar um famoso dramalhão sentimental do século XIX, escrito pelo (hoje) ilustre desconhecido Otávio de Feuillet, um romancista que foi celebrado como o maior dos escritores franceses numa época em que Lautremont, por exemplo, era ignorado. Felizmente, a coincidência é só no título, pois a história é completamente diferente e Ettore Scola certamente não será esquecido.

“A História de um jovem homem pobre”, novo filme dirigido pelo diretor italiano Ettore Scola e protagonizado por Alberto Sordi, nada tem de piegas. É a história de um jovem professor desempregado que, envolvido numa intriga pessoal, é preso. Ponto final. Enredo aparentemente simples, elementos típicos de um romance policial, algum suspense, algum amor sem destino…

Mas eis que Ettore Scola vira o jogo (aliás, o filme é dividido em dois tempos!): toda a miséria e a desesperança de um homem sem emprego, sem coragem, fugidio, triste; todo o sofrimento de origem econômica e social é filtrado pela subjetividade dos personagens.

Assim, a miséria social torna-se existencial e a solidão dos homens da rua não é pior do que uma prisão. Parece não haver saída exceto a fuga de si mesmo e dos outros — Persico, o protagonista do filme, foge o tempo todo: das mentiras da mãe, que tem vergonha da pobreza e do fracasso profissional do filho; do amor de uma mulher em condições financeiras melhores, pois seu orgulho é seu último refúgio; da proposta de um velho vizinho, para que mate sua mulher em troca de trinta milhões de liras (trinta, sempre as trinta moedas com que Judas traiu Cristo, mas a quem um solitário desempregado pode trair, senão a si mesmo?); da possibilidade de ser libertado se disser toda a verdade ao juiz (mas ser livre para morrer de fome?). Tantas perguntas sem respostas.

Ettore Scola, velho militante do Partido Comunista Italiano, está aqui bem longe do seu tradicional cinema político (por exemplo: “Nós que nos amávamos tanto”), aquele que de algum modo situava sua problemática num contexto histórico explícito — mas, paradoxalmente, fez agora o mais político dos seus filmes!

Não foi preciso denunciar o fracasso social do admirável mundo novo globalizado, nem expor o “desagradável” espetáculo dos homens errantes nos grandes centros urbanos (o filme fala de uma temática atualíssima, o desemprego, mas em nenhum momento vemos o personagem fisicamente destroçado ou caído nas ruas) — tudo isso já está diariamente escondido no canto envergonhado dos nossos olhos.

O personagem central é um homem sem futuro, fracassado, mas com dignidade. Ele nos faz perguntar a nós mesmos aquilo que não sabemos responder: Por que as histórias mais belas são também as mais tristes?

Lincoln Secco, colaborador do LD

fonte: http://necpt.com.br/Jovem_Homem_Pobre.html

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