Tecnologias sociais

Podemos estabelecer uma noção de “tecnologias sociais” quando nos referimos às práticas nas áreas e especialidades que se preocupam com questões socioeconômicas e políticas (aqui entendidas, no mínimo como problemas relacionados às: 1) desigualdades econômicas, políticas, culturais e sociais; 2) apropriação desigual da produção resultante do trabalho; 3) formas capitalistas ou não de organização da produção e do trabalho humanos).

Essas práticas visam levar à construção de métodos, técnicas, materiais e processos para:

a) resolver problemas relacionados à garantia de subsistência e sobrevivência das pessoas em condições de cidadania;

b) produzir significados críticos sobre o trabalho, a economia, a política e a cultura, que não sejam apenas aqueles adotados hegemonicamente na sociedade capitalista;

c) promover modos de vida alternativos que considerem tecnologias culturais e garantam qualidade de vida não necessariamente vinculadas à capacidade de consumo de produtos industrializados, provenientes, em sua maioria, das tecnologias científicas;

d) inventar formas de reorganizar o trabalho e a vida social, política e cultural;

de acordo com os interesses da produção de saberes e conhecimentos, seus sujeitos (que podem ser pesquisadores, profissionais, qualquer pessoa), grupos governamentais e não governamentais, movimentos sociais, seja como atores, idealizadores, financiadores ou envolvidos em todos esses aspectos simultaneamente.

Aqui abordaremos alguns exemplos de como as tecnologias sociais foram e podem ser construídas e desconstruídas, e como estas têm ligação com o desenvolvimento  de grupos humanos, paradoxalmente críticos e integrados ao sistema capitalista, com suas instituições e políticas socioeconômicas.

NUNCA HÁ NEUTRALIDADE OU IMPARCIALIDADE NA PRODUÇÃO, NA ADOÇÃO, NA DEFESA, NA UTILIZAÇÃO DE QUALQUER TECNOLOGIA CIENTÍFICA, CULTURAL OU SOCIAL.

Toda tecnologia social (assim como as tecnologias científicas e culturais), é produto das relações sociais, econômicas, culturais e políticas de seu tempo, atendendo interesses de grupos específicos e, portanto, podem ser criticadas e substituídas, conforme as disputas de poder e a força que cada grupo possui para fazer a sua tecnologia científica ser mais relevante que a de outro grupo.

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